O etanol é frequentemente apontado como uma alternativa mais limpa aos combustíveis fósseis. No Brasil, ele ocupa papel central na matriz energética e no debate sobre sustentabilidade, clima e segurança energética. Mas afinal, o etanol é mesmo sustentável? A resposta passa por entender sua origem, seus impactos e os desafios da produção.
O que é etanol?
O etanol é um biocombustível produzido a partir da fermentação de matérias-primas vegetais ricas em açúcar ou amido. Quimicamente, trata-se do álcool etílico (CH₃CH₂OH), um líquido transparente e incolor, amplamente conhecido também por seu uso em bebidas alcoólicas, produtos farmacêuticos e cosméticos.
No setor energético, o etanol ganhou protagonismo como alternativa aos combustíveis fósseis. Ele pode ser produzido a partir de diferentes culturas, dependendo do clima e da vocação agrícola de cada país. Nos Estados Unidos, o milho é a principal fonte. No Brasil, a cana-de-açúcar domina a produção.
Após a fermentação dos açúcares por leveduras, o líquido passa por processos de destilação e desidratação até atingir alto teor alcoólico. O principal destino do etanol é a mistura com a gasolina, no Brasil, essa proporção chega a mais de 25%, com o objetivo de reduzir emissões e melhorar a octanagem do combustível.

Etanol é sustentável?
O etanol é apontado como um combustível sustentável e a principal razão está na sua origem vegetal. As plantas utilizadas em sua produção absorvem dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera durante o crescimento, por meio da fotossíntese.
Quando o etanol é queimado no motor, esse carbono é devolvido ao ambiente, criando um ciclo considerado próximo da neutralidade de carbono. Diferentemente dos combustíveis fósseis, que liberam carbono armazenado há milhões de anos, o etanol faz parte de um ciclo mais curto.
No entanto, a sustentabilidade do etanol depende diretamente das práticas agrícolas adotadas. Quando há desmatamento, uso excessivo de água ou degradação do solo, os ganhos ambientais diminuem, e podem até se perder.
Qual o melhor etanol, de milho ou de cana?
O etanol de cana apresenta um balanço energético até sete vezes superior ao do etanol de milho. Isso significa que a quantidade de energia gerada pelo combustível é muito maior em relação à energia gasta para produzi-lo.
No milho, apenas cerca de 50% da massa seca, o amido, pode ser convertida em etanol. Além disso, o amido precisa ser transformado em açúcar antes da fermentação, o que exige mais etapas, energia e custos.
Já a cana-de-açúcar possui açúcares prontos para fermentação, o que torna o processo mais simples e eficiente. Outro fator decisivo é a produtividade: um hectare de cana produz, em média, o dobro de etanol em comparação ao milho.
De acordo com informações da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, as principais diferenças entre o etanol de milho e de cana estão na forma de produção. O etanol da cana é mais fácil de ser extraído, já que o etanol é um subproduto do açúcar. Em até 11 horas de fermentação, o melaço de açúcar fermenta e se transforma em etanol.
No entanto, a cana tem menos açúcar do que o milho, e uma tonelada da comodity brasileira produz apenas 89,5 litros de etanol. Já uma tonela de milho pode produzir até 407 litros de etanol. A diferença é que o amido de milho precisa ser transformado quimicamente em açúcar, o que dá mais trabalho. Por isso, o processo de fermentação pode levar até 70 horas.
A vantagem da cana é que a produtividade ainda é maior. Um hectare consegue render até 90 toneladas de cana, suficientes para produzir até 8 mil litros de etanol. Já o milho rende no máximo 20 toneladas por hectare, que podem se transformar em 3.500 litros de etanol.
Por que o etanol é renovável?
O etanol é classificado como um recurso renovável porque é produzido a partir de culturas agrícolas que podem ser replantadas ano após ano. Cana-de-açúcar, milho e outras matérias-primas crescem em ciclos relativamente curtos, usando sol, água e nutrientes do solo.
Esse ritmo rápido de renovação é um contraste direto com os combustíveis fósseis, que levam milhões de anos para se formar. Além disso, novas plantações são cultivadas logo após a colheita das anteriores, mantendo o ciclo produtivo ativo.
Quando produzido de forma responsável, o etanol pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em até 50% em comparação com a gasolina, considerando todo o seu ciclo de vida.
O que significa ser um combustível renovável?
A principal diferença entre combustíveis renováveis e combustíveis fósseis está na origem. Os fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, são recursos finitos formados ao longo de milhões de anos. Ao serem queimados, liberam na atmosfera carbono que estava armazenado no subsolo, contribuindo para o aumento das emissões de gases de efeito estufa.
Já os combustíveis renováveis são produzidos a partir de matérias-primas de origem biológica, como resíduos orgânicos, óleos usados e biomassa vegetal. Essas fontes têm a capacidade de reabsorver o dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera durante seu ciclo de crescimento, por meio da fotossíntese, o que reduz o impacto ambiental do uso energético.
Na prática, os combustíveis renováveis são combustíveis líquidos obtidos a partir de resíduos orgânicos e podem ser utilizados em motores de combustão interna. Uma das principais vantagens é a possibilidade de uso da mesma infraestrutura já existente de transporte e abastecimento, como postos de combustível e dutos.
A adoção desse tipo de combustível é especialmente estratégica em setores nos quais a descarbonização é mais difícil, como o transporte rodoviário de cargas pesadas, a aviação e o transporte marítimo. Nessas áreas, os combustíveis renováveis surgem como uma solução viável e imediata para reduzir emissões.
O Acordo de Paris estabelece 2050 como o ano em que o mundo deve alcançar a neutralidade de carbono, ou seja, emissões líquidas zero. Embora essa meta ainda pareça distante, os efeitos cada vez mais visíveis das mudanças climáticas exigem ações rápidas para acelerar a transição energética.
Brasil na produção de etanol
O Brasil é pioneiro no uso em larga escala do etanol combustível, desde o fim da década de 1970, com o Programa Nacional do Álcool (Proálcool). Atualmente, o país é o segundo maior produtor mundial de etanol, atrás apenas dos Estados Unidos, e um dos maiores consumidores.
Segundo o 1º levantamento da safra 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de cana-de-açúcar está estimada em 663,4 milhões de toneladas, volume ligeiramente inferior ao da safra anterior, impactado por condições climáticas adversas, como seca, altas temperaturas e incêndios em regiões produtoras, especialmente em São Paulo.
Mesmo assim, a produção total de etanol deve alcançar 8,7 bilhões de litros, um aumento de 11% em relação à safra passada. Desse total, cerca de 5,97 bilhões de litros correspondem ao etanol hidratado, enquanto 2,73 bilhões de litros devem ser de etanol anidro.
O levantamento da Conab também destaca o crescimento contínuo do etanol produzido a partir do milho, principalmente em estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, reforçando a importância do biocombustível para a segurança energética nacional.
Vantagens do etanol
Uma das principais vantagens do uso do etanol como combustível é a sua renovabilidade. Ao contrário de fontes de energia não renováveis, como petróleo e gás, o etanol pode ser produzido a partir de culturas que podem ser cultivadas ano após ano. Isso torna o etanol uma fonte de combustível mais sustentável a longo prazo. Conheça os principais benefícios:
1 – Energia renovável: etanol é produzido a partir da biomassa, uma fonte renovável que utiliza a energia do sol e se regenera em ciclos curtos. Durante a fotossíntese, as plantas absorvem dióxido de carbono (CO₂), que é liberado novamente na combustão, formando um ciclo próximo da neutralidade de carbono.
2 – Menores emissões de gases de efeito estufa: apresenta menor intensidade de carbono do que os combustíveis fósseis. Enquanto gasolina e diesel liberam carbono acumulado por milhões de anos, o etanol participa de um ciclo curto. Estudos indicam que o etanol de milho produzido nos Estados Unidos pode emitir entre 44% e 52% menos gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida em comparação com a gasolina.
3 – Fortalecimento das economias rurais: a cadeia produtiva do etanol gera empregos e renda em áreas rurais, contribuindo para o desenvolvimento regional, a diversificação econômica e a fixação de mão de obra no campo.
4 – Maior independência energética: a produção nacional de etanol reduz a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalece a segurança energética. Crises geopolíticas recentes evidenciam a importância de fontes internas e renováveis de energia.
5 – Preços mais estáveis: os combustíveis fósseis estão sujeitos a forte volatilidade de preços. Os biocombustíveis, por sua vez, tendem a apresentar maior estabilidade, já que podem ser produzidos localmente e com custos mais previsíveis após a implantação da infraestrutura.
Qual a desvantagem do etanol?
Apesar dos benefícios, o etanol não está livre de críticas. Uma das principais desvantagens está no uso intensivo de terras agrícolas. A expansão das lavouras pode estimular o desmatamento e a perda de biodiversidade, especialmente quando ocorre de forma desordenada.
Outro ponto sensível é o consumo de água. Tanto o milho quanto a cana-de-açúcar exigem grandes volumes hídricos, o que pode pressionar regiões já afetadas por secas.
Há ainda o debate sobre alimento versus combustível. O uso de terras para produzir energia reduz a área disponível para a produção de alimentos, o que pode elevar preços e aumentar a insegurança alimentar, especialmente em um cenário de crescimento populacional global.
Do ponto de vista do consumidor, o etanol também tem menor densidade energética do que a gasolina. Isso significa que, por litro, ele rende menos quilômetros, impactando o consumo dependendo do tipo de motor.
Então o Etanol é bom para o meio ambiente?
O etanol não é considerado uma solução perfeita, mas tem papel relevante na transição energética. Ele reduz emissões, diversifica a matriz de combustíveis e diminui a dependência de fontes fósseis.
A curto e médio prazo, o uso consciente e planejado do etanol pode trazer ganhos ambientais reais. No longo prazo, porém, especialistas apontam que outras tecnologias, como veículos elétricos e hidrogênio verde, devem assumir maior protagonismo.
Enquanto isso, o etanol segue como uma alternativa viável, desde que produzido com responsabilidade ambiental e social.
Papel da Alutal na indústria sucroalcooleira
A sustentabilidade do etanol não se constrói apenas no campo. Ela passa, cada vez mais, pelo chão de fábrica das usinas. Em um setor pressionado a produzir mais, gastar menos e emitir menos, a eficiência dos processos industriais virou um fator-chave para a competitividade da indústria sucroalcooleira.
A Alutal atua justamente nessa frente, oferecendo soluções voltadas ao controle e à medição de etapas sensíveis da produção, como fermentação, destilação e geração de vapor. Na prática, sistemas mais precisos ajudam as usinas a enxergar melhor seus próprios processos: identificam perdas, ajustam o uso de energia e aumentam a confiabilidade das operações no dia a dia.
Quando a indústria investe em eficiência, o ganho vai além da produtividade. Reduz desperdícios, melhora o desempenho ambiental e fortalece a posição do etanol como um biocombustível relevante no debate sobre transição energética e descarbonização da matriz de transportes.
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