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O Brasil produz diesel? Entenda por que ainda dependemos de importação

O Brasil produz e refina diesel em ampla escala

O diesel é o combustível que move o Brasil. Do trator que colhe a soja ao caminhão que leva a comida até o supermercado, quase tudo depende dele. Recentemente, com o anúncio de reajustes pela Petrobras e as tensões no Oriente Médio, o combustível voltou ao centro do debate. Mas por que um país que produz tanto petróleo ainda sofre com altas internacionais? Entenda.

Quanto diesel o Brasil produz?

O Brasil possui um parque de refino robusto e estratégico, mas que hoje não consegue ser autossuficiente. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção nacional de diesel saltou de 41 milhões de metros cúbicos em 2010 para a casa dos 49 milhões de metros cúbicos em 2024.

A principal estrela dessa operação é a Refinaria de Paulínia (REPLAN), no interior de São Paulo. Sozinha, ela responde por mais de 10 milhões de metros cúbicos desse total. Somando a REPLAN a outras unidades estratégicas espalhadas pelo país, como a REPAR, RPBC, REFAP e REDUC, o Brasil consegue refinar pouco mais de 80% do diesel que consome.

Embora esse número pareça alto, os 20% restantes que faltam representam um volume gigantesco. Para que o país não pare, é obrigatório recorrer à importação. Essa necessidade de complementar o abastecimento interno faz com que o mercado brasileiro fique vulnerável ao que acontece lá fora.

Por que o Brasil não produz todo o óleo diesel que consome?

Essa é a pergunta que mais gera dúvidas na população: se o Brasil produz tanto petróleo, por que ainda precisa importar diesel? A resposta para esse desafio estrutural envolve dois fatores principais: a capacidade máxima das nossas refinarias e uma questão de compatibilidade química.

O ex-executivo da Petrobras, Pedro Parente, explicou bem essa questão em entrevistas recentes. Ele lembra que a população e as indústrias não consomem o petróleo bruto que sai dos poços, mas sim os seus derivados, como a gasolina, o gás de cozinha (GLP) e o próprio diesel. O primeiro problema é que o crescimento da economia brasileira e da nossa frota de veículos superou a velocidade de ampliação das refinarias nacionais. Simplesmente não temos espaço físico e maquinário para processar todo o combustível que queimamos.

O segundo problema é histórico e tecnológico. A maior parte das refinarias brasileiras foi projetada e construída há décadas, quando o foco era o processamento de óleo pesado. Hoje, com o Pré-Sal, o desafio é modernizar essas plantas para que operem com máxima eficiência térmica e segurança. Nesse cenário, o uso de sensores de temperatura de alta precisão e sistemas de monitoramento robustos é o que garante que o refino ocorra sem desperdícios e com controle rigoroso de qualidade. Sem essa tecnologia de medição, o Brasil acaba exportando seu petróleo leve bruto e importando o diesel refinado de países com parques industriais mais modernos.”

Quem fornece o diesel para o Brasil?

Para cobrir o buraco de 20% a 25% na nossa demanda, o Brasil precisa ir às compras no mercado global. A análise das importações mostra um mercado bastante dinâmico e que acompanha as mudanças geopolíticas.

Historicamente, os Estados Unidos sempre foram o maior parceiro comercial do Brasil no fornecimento de óleo diesel. Entre 2018 e 2020, os americanos enviaram volumes que ultrapassavam os 9 milhões de metros cúbicos anuais para os portos brasileiros.

No entanto, o cenário mudou muito nos últimos dois anos. A Rússia, que quase não figurava na lista de fornecedores brasileiros até meados de 2012, passou a inundar o mercado nacional com combustível a preços muito competitivos. Em 2023 e 2024, as importações de diesel russo atingiram patamares semelhantes aos dos EUA, mostrando uma forte diversificação da nossa matriz de fornecedores.

Além desses dois gigantes, países do Golfo Pérsico, como os Emirados Árabes Unidos, também realizam vendas pontuais para o Brasil quando as condições de mercado são favoráveis.

Por que o preço do Diesel aumentou em 2026?

O aumento recente nos preços do diesel nas refinarias brasileiras, em março de 2026, é o reflexo de uma combinação de fatores externos e regras de mercado. A Petrobras anunciou reajustes puxados principalmente pela disparada do preço do barril de petróleo no mercado internacional.

Essa alta global foi impulsionada pelas graves tensões geopolíticas no Oriente Médio, especialmente envolvendo o conflito entre Irã e Israel. O mercado financeiro e as tradings de petróleo temem que uma escalada na guerra física prejudique as rotas de navegação e o fornecimento da commodity, o que faz o preço subir preventivamente.

Além disso, o Brasil adota mecanismos que observam o Preço de Paridade de Importação (PPI). Esse cálculo monitora quanto custa para trazer o diesel do exterior até os portos brasileiros, incluindo frete, seguros e câmbio. Quando o dólar sobe ou o petróleo encarece lá fora, o PPI sobe. Se a Petrobras mantiver os preços defasados (muito abaixo do mercado internacional), as empresas privadas param de importar porque teriam prejuízo ao tentar vender aqui dentro. Se os privados param de importar, o país corre o risco de desabastecimento. Para evitar isso, a Petrobras precisa alinhar seus preços para que a importação continue sendo viável.

O diesel vai acabar no Brasil?

As autoridades e especialistas garantem que não há nenhum indicativo de que o diesel vá acabar no Brasil de forma generalizada. No entanto, episódios pontuais de estresse logístico já acenderam o sinal de alerta. Recentemente, a Petrobras precisou realizar leilões de emergência de milhões de litros de diesel no Rio Grande do Sul para evitar que as máquinas parassem no meio da colheita de grãos, após relatos de dificuldades locais de abastecimento.

Esses sustos acontecem justamente por causa da nossa dependência externa. Se a “janela de importação” fecha porque os preços no Brasil estão artificialmente baixos, os navios estrangeiros param de chegar. Toda a responsabilidade de abastecer o país recai sobre a Petrobras, que precisa correr contra o tempo para comprar o produto lá fora e garantir que os setores essenciais não parem.

O biodiesel pode ser uma solução?

Como uma alternativa para diminuir a dependência do petróleo e reduzir as emissões de poluentes, o Brasil utiliza o biodiesel, um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais (principalmente soja) e gordura animal.

Atualmente, o diesel vendido nos postos comuns não é puro: ele conta com uma mistura obrigatória de 15% de biodiesel (o chamado B15). Com a crise internacional e a disparada dos preços do petróleo, associações de produtores de biocombustíveis, como a Aprobio, defendem que o governo acelere os testes para elevar essa mistura para 16% (B16) ou mais.

A lógica é simples: quanto mais biodiesel nacional colocarmos na mistura, menos diesel fóssil precisaremos importar. Porém, essa solução também tem seus desafios. Como a soja é a principal matéria-prima do biodiesel no Brasil, se o preço internacional do grão ou do óleo de soja subir (o que costuma acontecer quando o petróleo encarece), o custo do biodiesel também aumenta, pressionando o preço final na bomba do mesmo jeito.

Qual a diferença entre o diesel e a gasolina

Para fechar o entendimento sobre esse combustível, vale a pena esclarecer uma dúvida comum: diesel e gasolina são a mesma coisa? Tecnicamente, não. Embora ambos venham do refino do mesmo petróleo bruto, eles são separados em etapas diferentes do processo.

O óleo diesel é um combustível composto por cadeias de carbono mais longas (de 8 a 16 carbonos). Ele possui uma densidade muito maior e é bem menos volátil do que a gasolina comum. Isso significa que a sua queima dentro do motor é mais lenta e exige muita compressão para explodir, em vez de uma faísca de vela como ocorre nos carros de passeio a gasolina.

Essa característica faz do diesel o combustível perfeito para gerar força bruta. É por isso que ele reina absoluto no transporte de carga pesada, na geração de energia elétrica em grandes usinas e no trabalho pesado do campo. Enquanto a gasolina foca em velocidade e agilidade para veículos leves, o diesel foca em torque e eficiência para carregar o Brasil nas costas.

Tecnologia para o refino no Brasil

A cadeia de produção e refino do óleo diesel exige tecnologia de ponta e medições de temperatura de altíssima precisão. Seja na indústria petroquímica ou no controle de máquinas pesadas do agronegócio, a Alutal oferece as melhores soluções em Sensores de Temperatura para garantir que a sua operação não pare. Fale com um de nossos especialistas!

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Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista, redatora e especialista em SEO, com ampla experiência na produção de conteúdos estratégicos para web.

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