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O Brasil tem refinaria de petróleo ou não?

Apesar de produzir petróleo em larga quantidade, o país precisa importar por questão técnica

O Brasil bateu recorde na produção de petróleo ao atingir 3,953 milhões de barris por dia em janeiro de 2026, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Ainda assim, o país continua importando parte do óleo cru e derivados como diesel, e o motivo está ligado às refinarias.

O que é uma refinaria de petróleo?

Uma refinaria de petróleo é uma unidade industrial complexa responsável por transformar o petróleo bruto, extraído diretamente do subsolo ou do fundo do mar, em uma variedade de produtos úteis para o consumo e para a indústria. Por meio de processos físicos e químicos, como a destilação fracionada, o craqueamento e o tratamento com hidrogênio, o petróleo é separado em diferentes componentes, como gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), querosene, asfaltos e lubrificantes.

Na prática, o refino acontece em etapas. A primeira é a destilação, quando o petróleo é aquecido até virar vapor e depois resfriado, separando seus componentes em diferentes níveis dentro de uma torre. É nesse momento que surgem frações como gás, gasolina e diesel.

Depois vem a conversão, etapa que transforma partes mais pesadas e menos valiosas em produtos mais nobres. É o caso da produção de gasolina de alta octanagem a partir de resíduos mais densos.

Na sequência, entram os tratamentos, responsáveis por retirar impurezas, como o enxofre, e adequar os combustíveis às exigências ambientais. Por fim, há os processos auxiliares, que garantem o funcionamento da refinaria, com geração de energia, vapor, água e hidrogênio.

Sem esse conjunto de etapas, o petróleo não teria utilidade direta no consumo.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Brasil produziu 3,770 milhões de barris por dia em 2025, o maior volume da história. Em janeiro de 2026, a produção chegou a 3,953 milhões de barris por dia, alta de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Onde estão as refinarias do Brasil e quantas são

O Brasil possui 19 refinarias em operação, distribuídas principalmente nas regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Norte. Dessas, cerca de 10 pertencem à Petrobras, que ainda concentra a maior parte da capacidade de refino do país.

A maior refinaria brasileira é a de Paulínia, localizada em Paulínia. A unidade tem capacidade para processar cerca de 435 mil barris por dia e responde por uma fatia relevante da produção nacional de combustíveis.

Logo atrás aparecem a refinaria de Mataripe, na Bahia, e a refinaria de Duque de Caxias, em Duque de Caxias, ambas com grande peso no abastecimento.

Essa distribuição não é aleatória. As refinarias ficam próximas de centros consumidores, portos ou áreas produtoras, o que reduz custos logísticos.

Quais as refinais do Brasil?

Veja as principais e a capacidade de refino de cada um delas.

  • Refinaria de Paulínia (Replan) – Paulínia
    Maior refinaria do país, com capacidade de cerca de 435 mil barris/dia. Produz diesel, gasolina, GLP, querosene de aviação e nafta. Responde por cerca de 19% do refino nacional.
  • Refinaria Henrique Lage (Revap) – São José dos Campos
    Capacidade de 252 mil barris/dia. Forte produção de combustíveis e insumos petroquímicos.
  • Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) – Cubatão
    Capacidade de 180 mil barris/dia. Destaque para gasolina, diesel e derivados petroquímicos.
  • Refinaria de Capuava (Recap) – Mauá
    Cerca de 52 mil barris/dia. Produz combustíveis com baixo teor de enxofre e solventes.
  • Refinaria Duque de Caxias (Reduc) – Duque de Caxias
    Uma das maiores do país, com 239 mil barris/dia. Produz ampla gama: combustíveis, lubrificantes, gás e petroquímicos.
  • Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj/GasLub) – Itaboraí
    Capacidade de cerca de 170 mil barris/dia (em desenvolvimento). Foco em gás natural e integração petroquímica.
  • Refinaria Gabriel Passos (Regap) – Betim
    Capacidade de 155 mil barris/dia. Produz gasolina, diesel, GLP e combustível marítimo.
  • Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) – Canoas
    Capacidade de cerca de 200 mil barris/dia. Importante para o abastecimento do Sul.
  • Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) – Araucária
    Cerca de 207 mil barris/dia. Produz diesel, gasolina, GLP e asfalto.
  • Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) – São Mateus do Sul
    Diferentemente das demais, processa xisto betuminoso. Produz nafta, GLP e insumos industriais.
  • Refinaria Landulpho Alves (RLAM / Mataripe) – São Francisco do Conde
    Primeira refinaria do Brasil, com cerca de 320 mil barris/dia. Produz combustíveis, asfalto e petroquímicos.
  • Refinaria Abreu e Lima (RNEST) – Ipojuca
    Aproximadamente 230 mil barris/dia. Foco em diesel de baixo teor de enxofre.
  • Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor) – Fortaleza
    Pequena refinaria, cerca de 8 mil barris/dia, especializada em lubrificantes e asfaltos.
  • Refinaria Potiguar Clara Camarão – Guamaré
    Produção menor, voltada para derivados básicos como diesel, gasolina e QAV.
  • Refinaria Isaac Sabbá (Reman) – Manaus
    Capacidade de cerca de 46 mil barris/dia. Atende principalmente a região Norte.
  • Refinaria de Manguinhos – Rio de Janeiro
    Capacidade de cerca de 10 mil barris/dia. Operação privada e menor escala.

Então por que o Brasil importa petróleo?

É fato: o Brasil é autossuficiente em petróleo. Isso significa que o país produz um volume maior do que consome. Ainda assim, distribuidoras e refinadoras importam alguma parcela de petróleo para complementar a produção brasileira com óleos de características diferentes, necessários para ampliar o leque de derivados fabricados.

Mas por que? O primeiro motivo é técnico. Algumas refinarias são projetadas para processar determinados tipos de óleo. Para produzir itens como lubrificantes, por exemplo, é necessário petróleo mais pesado, que nem sempre está disponível em quantidade suficiente no país. Por isso, a Petrobras importa óleo de países como a Arábia Saudita.

O segundo motivo é econômico. Em alguns casos, é mais barato importar derivados prontos, como diesel, do que produzir internamente.

O terceiro é logístico. O Brasil é um país de dimensões continentais, e nem sempre o petróleo produzido chega com facilidade às refinarias ou aos centros consumidores.
Além disso, as refinarias brasileiras têm limites de capacidade. A Petrobras, por exemplo, opera 11 refinarias, com capacidade total de cerca de 1,85 milhão de barris por dia. Esse volume nem sempre acompanha o crescimento da demanda.

A resposta está no tipo de petróleo produzido e na estrutura das refinarias. Existem três tipos principais de petróleo: leve, médio e pesado. Cada um tem características diferentes que impactam diretamente o refino.

  • O petróleo leve, comum em países como Arábia Saudita, Kuwait e Iraque, é mais fácil de processar e gera mais combustíveis nobres.
  • Já o petróleo médio e pesado, predominantes no Brasil, têm maior teor de enxofre, são mais densos e exigem processos mais caros.

Hoje, cerca de 55% da produção brasileira é de petróleo médio e 35% de petróleo pesado. Esses tipos rendem menos gasolina e diesel nas etapas iniciais do refino. Por outro lado, o pré-sal trouxe petróleo mais leve e de melhor qualidade, com maior valor de mercado.

Qualidade do petróleo e a escala API

Para entender melhor essas diferenças, é preciso olhar para a escala API, criada pelo Instituto Americano de Petróleo.

Ela mede a densidade do petróleo. Quanto maior o grau API, mais leve e valioso é o óleo.

  • Acima de 31° API: petróleo leve
  • Entre 22° e 31° API: petróleo médio
  • Abaixo de 22° API: petróleo pesado

Além disso, o petróleo pode ser classificado como doce (baixo teor de enxofre) ou ácido (alto teor). Portanto, essas características influenciam diretamente o custo de produção e o tipo de derivado obtido.

As refinarias são peças-chave para garantir o abastecimento do país. São elas que transformam o petróleo em combustíveis usados no transporte, na indústria e na geração de energia.

Unidades como a de Paulínia, a de Duque de Caxias e a de Abreu e Lima têm papel central nesse processo, produzindo grandes volumes de diesel, gasolina e querosene de aviação.

Mesmo com avanços na produção, o desafio continua sendo equilibrar oferta e demanda, além de adaptar o parque de refino às mudanças do mercado.

Então mesmo sendo um grande produtor, o Brasil ainda depende de ajustes no refino para reduzir a necessidade de importação. No fim das contas, refinarias, produção e importação fazem parte do mesmo sistema, e precisam funcionar em equilíbrio para garantir o abastecimento do país.

Soluções da Alutal para refinarias

Em ambientes complexos como refinarias, onde há altas temperaturas, pressão e fluidos corrosivos, o controle preciso de processos é essencial para segurança e eficiência. É nesse cenário que entram as soluções da Alutal, com foco em medição e controle de temperatura em condições extremas.

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Para quem busca melhorar o controle térmico, reduzir perdas e aumentar a eficiência operacional, vale conhecer as soluções completas da Alutal voltadas ao refino de petróleo.

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Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista, redatora e especialista em SEO, com ampla experiência na produção de conteúdos estratégicos para web.

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