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Como é feito o refinamento do petróleo?

O petróleo precisa ser processado antes de ser utilizado

A cena costuma passar despercebida por quem abastece o carro ou acende o fogão em casa, mas por trás de cada litro de gasolina, diesel ou gás de cozinha existe um processo industrial complexo, caro e estratégico: o refinamento do petróleo. É nele que uma matéria-prima praticamente inútil em estado bruto se transforma em combustíveis, lubrificantes, asfalto e insumos essenciais para a indústria química.

Refinar petróleo é, em essência, separar, quebrar, reorganizar e tratar moléculas. O trabalho acontece em instalações que mais lembram cidades industriais do que fábricas comuns, operando 24 horas por dia, com centenas de quilômetros de tubulações, fornos, torres e reatores químicos. No Brasil, esse processo tem impacto direto na economia, na inflação, na política de preços dos combustíveis e até na balança comercial.

A seguir, entenda como funciona o refinamento do petróleo, qual é o papel do Brasil nesse cenário e por que essa etapa é decisiva.

O Brasil refina o próprio petróleo? Onde?

Sim, o Brasil refina parte significativa do petróleo que produz, mas não todo. O país é um grande produtor de petróleo, sobretudo após a exploração do pré-sal, porém ainda enfrenta limitações na capacidade de refino e na adaptação das refinarias ao tipo de óleo extraído em larga escala.

O parque de refino brasileiro é majoritariamente operado pela Petrobras e conta hoje com 10 refinarias em funcionamento: Abreu e Lima (PE), Lubnor (CE), Capuava (SP), Duque de Caxias (RJ), Refap (RS), Gabriel Passos (MG), Presidente Getúlio Vargas (PR), RPBC (SP), Replan (SP) e Henrique Lage (SP). Além disso, está em construção o Polo GasLub, em Itaboraí (RJ).

Essas unidades foram projetadas, em grande parte, para processar petróleos mais leves ou misturas específicas. Como o petróleo do pré-sal tem características próprias, nem sempre ele pode ser refinado integralmente no Brasil sem adaptações técnicas. Por isso, uma parcela do óleo bruto é exportada, enquanto o país importa derivados, como diesel e gasolina, já refinados.

Ainda assim, o refinamento do petróleo no Brasil é estratégico. Ele reduz a dependência externa, gera empregos altamente qualificados, movimenta cadeias industriais inteiras e influencia diretamente o preço final pago pelo consumidor.

Como é feito o craqueamento do petróleo?

O craqueamento é uma das etapas centrais do refinamento do petróleo e surgiu da necessidade de atender à crescente demanda por combustíveis leves, especialmente a gasolina, com o avanço dos motores de combustão interna.

De forma simples, o craqueamento consiste em “quebrar” moléculas grandes e pesadas de hidrocarbonetos em moléculas menores, mais leves e mais valiosas do ponto de vista comercial. Isso é feito com o uso de altas temperaturas, pressão e, na maioria dos casos, catalisadores químicos.

Existem três tipos principais de craqueamento usados nas refinarias modernas. O craqueamento catalítico é o mais comum. Nele, frações pesadas obtidas na destilação a vácuo entram em contato com catalisadores à base de sílica e alumina, em temperaturas que podem ultrapassar 500 °C. O resultado é a formação de gasolina, GLP, diesel leve e outros subprodutos.

Já o craqueamento térmico utiliza apenas calor para romper as moléculas. É uma tecnologia mais antiga, hoje menos utilizada, mas ainda relevante para o processamento de resíduos muito pesados. Ele gera combustíveis destilados, gases leves e coque de petróleo, usado como combustível industrial ou na siderurgia.

O hidrocraqueamento é uma versão mais moderna e sofisticada. Nesse processo, o craqueamento ocorre na presença de hidrogênio, o que permite não apenas quebrar as moléculas, mas também remover impurezas como enxofre e nitrogênio. O resultado são combustíveis de melhor qualidade, com menor impacto ambiental.

O craqueamento é essencial porque, sem ele, a simples destilação do petróleo não seria suficiente para atender ao consumo atual de gasolina, diesel e querosene de aviação.

Para que serve o refino do petróleo?

O petróleo bruto, tal como sai do poço, tem pouquíssima utilidade direta. Ele é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, água, sais, enxofre, nitrogênio e outros compostos. O refino do petróleo serve justamente para transformar esse material em produtos utilizáveis, seguros e padronizados.

A primeira grande função do refino é separar o petróleo em frações, por meio da destilação atmosférica e a vácuo. Cada fração corresponde a um intervalo de temperatura de ebulição e dá origem a produtos como gás liquefeito, gasolina, querosene, diesel e óleos pesados.

A segunda função é melhorar a qualidade desses produtos. Processos como reforma catalítica, isomerização, alquilação e polimerização reorganizam as moléculas para aumentar, por exemplo, a octanagem da gasolina ou a eficiência do diesel.

Há ainda o tratamento das impurezas. O enxofre, presente em muitos tipos de petróleo, precisa ser removido para atender às normas ambientais e evitar danos aos motores. O hidrotratamento e as unidades de recuperação de enxofre cumprem esse papel, transformando resíduos tóxicos em enxofre elementar, que pode ser reaproveitado pela indústria química.

Em resumo, o refinamento do petróleo é o que permite que a energia armazenada no subsolo se converta em mobilidade, aquecimento, eletricidade e matéria-prima para milhares de produtos industriais.

Onde o petróleo refinado pode ser utilizado?

Os produtos do refinamento do petróleo estão presentes em praticamente todos os aspectos da vida moderna. O uso mais visível está nos combustíveis. Gasolina e etanol misturado abastecem carros e motos; o diesel movimenta caminhões, ônibus, trens e máquinas agrícolas; o querosene de aviação é essencial para o transporte aéreo.

Mas o alcance vai muito além dos postos de combustível. O GLP, conhecido como gás de cozinha, é usado em milhões de lares brasileiros. Óleos lubrificantes reduzem o desgaste de motores e equipamentos industriais. O asfalto, derivado pesado do petróleo, pavimenta ruas, rodovias e aeroportos.

A indústria petroquímica é outro grande destino dos derivados refinados. A nafta serve como base para a produção de plásticos, solventes, tintas, fibras sintéticas, embalagens, medicamentos e cosméticos. Sem o refinamento do petróleo, cadeias inteiras da indústria moderna simplesmente não existiriam.

Até mesmo subprodutos menos conhecidos têm importância estratégica. O coque de petróleo é usado como combustível e na fabricação de eletrodos; o enxofre recuperado entra na produção de fertilizantes; gases leves alimentam as próprias refinarias, tornando o processo mais eficiente.

O refinamento do petróleo, portanto, não é apenas uma etapa industrial: é um elo central entre recursos naturais, economia, infraestrutura e o cotidiano da população. Entender como ele funciona ajuda a compreender por que decisões sobre refino, investimento em refinarias e política energética têm impacto direto no bolso e na vida dos brasileiros.

Equipamento para refinarias

Em um ano marcado por fenômenos celestes que chamam a atenção do público, como o eclipse que mobiliza olhares para o céu, o nome Eclipse também ganha destaque em outro cenário decisivo para a vida moderna: o das refinarias de petróleo. Longe do espetáculo astronômico, o Eclipse® 706 é um equipamento fundamental para garantir desempenho, precisão e segurança em um dos processos industriais mais complexos do mundo, o refinamento do petróleo.

Nas refinarias, onde qualquer erro de medição pode significar prejuízo milionário ou riscos operacionais, a tecnologia de monitoramento de nível é estratégica. É nesse ponto que entra o transmissor de nível com tecnologia de radar de onda guiada Eclipse® Modelo 706, um dos equipamentos mais utilizados em unidades de refino no Brasil e no exterior. No mercado brasileiro, a distribuição é feita pela Alutal, referência em soluções de instrumentação industrial. 

Baseado na tecnologia de radar de onda guiada (GWR – Guided Wave Radar), que utiliza o princípio de TDR (Time Domain Reflectometry), o Eclipse® 706 foi desenvolvido para operar em condições extremas, comuns ao ambiente do refino: altas temperaturas, pressão elevada e produtos com diferentes características físico-químicas. Alimentado por loop de 24 VCC, o transmissor se destaca pelo alto desempenho e pela confiabilidade em medições contínuas de nível, desde hidrocarbonetos leves e pesados até meios à base de água, respeitando as características dielétricas do processo. 

Um dos diferenciais do equipamento está na tecnologia de processamento avançado de sinal, que amplia a estabilidade do sinal e reduz interferências, algo essencial em tanques e colunas de destilação onde há vapores, espuma e variações bruscas de processo. Além disso, o modelo oferece a linha mais completa de sondas do mercado, o que permite sua aplicação em praticamente todas as etapas do refinamento do petróleo. 

O design também é pensado para a rotina industrial. O gabinete angulado de compartimento duplo, introduzido pela Magnetrol no fim dos anos 1990, facilita a instalação, o cabeamento e a operação em campo. O visor LCD gráfico permite leitura clara das informações, mesmo em ambientes industriais hostis, comuns às refinarias.

Outro ponto central é a segurança. O radar de onda guiada Eclipse® 706 é certificado para uso em circuitos de segurança críticos, com conformidade SIL 2 e SIL 3, níveis exigidos em plantas onde qualquer falha pode resultar em acidentes ambientais ou operacionais. A versatilidade do equipamento permite que o mesmo transmissor seja intercambiável entre diferentes tipos de sondas, aumentando a confiabilidade e reduzindo o tempo de parada para manutenção. 

O suporte a padrões como FDT/DTM e DD aprimorado também coloca o Eclipse 706 em sintonia com as exigências da indústria moderna. A integração com ferramentas como PACTware, AMS Device Manager e comunicadores de campo HART permite acesso a dados de diagnóstico avançados, como a curva de eco, recurso fundamental para análises preditivas e aumento da eficiência operacional.

Assim como o eclipse astronômico simboliza alinhamento e precisão no cosmos, o Eclipse® 706 representa esse mesmo conceito dentro das refinarias: controle rigoroso, leitura confiável e segurança em processos que sustentam a produção de combustíveis e derivados essenciais para a economia. No Brasil, com a atuação da Alutal, essa tecnologia se consolida como peça-chave na engrenagem do refinamento do petróleo, unindo inovação, desempenho e proteção industrial.

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Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista, redatora e especialista em SEO, com ampla experiência na produção de conteúdos estratégicos para web.

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