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Guias Técnicos

Otimização da combustão em caldeiras a biomassa de cana-de-açúcar

Analisadores de oxigênio ajudam otimizar o ar-combustível e melhorar eficiência energética em caldeiras.

A otimização da combustão em caldeiras é um elemento central para melhorar a eficiência energética em sistemas que utilizam biomassa, contribuindo para uma operação industrial mais sustentável e econômica. A biomassa de cana-de-açúcar, por exemplo, se destaca como uma fonte de energia renovável e abundante, mas o desafio de maximizar a eficiência de sua combustão persiste. Um dos principais fatores que influenciam esse desempenho é o controle preciso da mistura ar-combustível.

O papel dos analisadores de oxigênio na otimização da combustão em caldeiras a biomassa de cana-de-açúcar

É nesse cenário que os analisadores de oxigênio pelo princípio de óxido de zircônio da Fuji Electric (modelos ZKMA/B + ZFK8), desempenham um papel fundamental. Esses instrumentos oferecem uma solução de alta precisão para monitorar e otimizar a combustão, permitindo ajustes finos na proporção ar e combustível. O resultado é uma combustão mais eficiente, que não só maximiza a geração de energia, como também reduz significativamente o consumo de combustível e as emissões de poluentes.

O analisador de oxigênio in-situ pelo princípio de óxido de zircônio, é projetado especificamente para medir os níveis de O2 diretamente na fornalha, fornos ou caldeiras. Essa medição contínua e em tempo real é crucial para ajustar automaticamente o excesso de ar na combustão, garantindo que o processo ocorra nas condições ideais. Ao manter o equilíbrio adequado entre ar e combustível, o analisador contribui para uma queima mais completa e eficiente, resultando em ganhos operacionais substanciais e uma significativa redução de custos.

Em resumo, a utilização do analisador de oxigênio não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia inteligente para impulsionar a eficiência energética, reduzir despesas e promover práticas operacionais mais sustentáveis na indústria.

Óxido de zircônio (ZrO2)

A operação do analisador de oxigênio in situ é baseada na propriedade do óxido de zircônio, também chamado de zircônia, que conduz íons de oxigênio quando aquecido.

Este analisador obtém a medição da concentração de O₂ detectando a força eletromotriz gerada pela diferença no conteúdo de O₂ entre o ar e o gás da amostra.

Otimização da combustão em caldeiras: analisador de oxigênio.
Ilustração: operação do analisador de oxigênio in-situ
Otimização da combustão em caldeiras: analisador de oxigênio da Fuji
Ilustração: analisador de oxigênio da Fuji Electric em operação

O analisador de oxigênio da Fuji Electric utiliza a tecnologia de célula de óxido de zircônia, que funciona com base no princípio de condução iônica. A célula gera uma tensão proporcional à concentração de oxigênio nos gases de combustão. Essa leitura precisa permitir o ajuste automático da quantidade de ar fornecido à caldeira, garantindo que a combustão ocorra em condições ideais.

O analisador de oxigênio por óxido de zircônia é amplamente utilizado para monitorar a concentração de oxigênio em processos de combustão. O princípio de funcionamento desse analisador baseia-se nas propriedades eletroquímicas da zircônia estabilizada com ítria, que se torna condutiva para íons de oxigênio a altas temperaturas.

Princípio de funcionamento

Sensor de óxido de zircônia

  • O sensor principal é composto por um tubo de cerâmica feito de óxido de zircônia estabilizado com ítria. Este tubo funciona como um eletrólito sólido.
  • Em cada extremidade do tubo, há eletrodos de platina porosa, que permitem a passagem de íons de oxigênio.

Diferença de concentração de oxigênio

  • Um lado do tubo de zircônia é exposto ao gás de combustão (com uma concentração variável de oxigênio), enquanto o outro lado é exposto a um gás de referência (geralmente ar ambiente, com concentração de oxigênio conhecida e constante).
  • Devido à diferença na concentração de oxigênio entre os dois lados, uma diferença de potencial (tensão elétrica) é gerada entre os eletrodos.

Gerando o sinal

  • A diferença de potencial gerada entre os dois eletrodos é proporcional ao logaritmo da razão das concentrações de oxigênio nos dois lados.
  • Este sinal elétrico é então amplificado e convertido em uma leitura direta da concentração de oxigênio no gás de combustão.

Temperatura de operação

  • O sensor de óxido de zircônia precisa ser aquecido a uma temperatura alta, geralmente em torno de 600 a 800 °C, para que o material cerâmico se torne condutor de íons de oxigênio. Este aquecimento é mantido por um elemento de aquecimento integrado no sensor

Benefícios:

  • Resposta Rápida: A medição em tempo real permite ajustes rápidos no processo de combustão, aumentando a eficiência.
  • Precisão: A alta sensibilidade do sensor de óxido de zircônia garante medições precisas, mesmo em ambientes severos.
  • Durabilidade: Projetado para resistir a altas temperaturas e condições adversas, o sensor oferece uma longa vida útil.

Impacto na eficiência de combustão

A eficiência de combustão é diretamente relacionada à quantidade de oxigênio presente nos gases de exaustão. Uma combustão sub estequiométrica (pouco oxigênio) pode resultar na formação de monóxido de carbono (CO) e fuligem, enquanto uma combustão super estequiométrica (excesso de oxigênio) leva ao desperdício de energia pela queima de oxigênio em excesso, reduzindo a eficiência térmica.

Com a implementação do analisador de oxigênio da ALUTAL/ FUJI Electric, é possível ajustar a taxa de ar de combustão em tempo real, mantendo o nível de oxigênio em uma faixa ideal (geralmente entre 2% e 4% para biomassa). Esse controle resulta em uma combustão mais completa, aumentando a eficiência térmica da caldeira e reduzindo a emissão de poluentes.

Base de cálculo para eficiência de combustão

Para calcular a eficiência de combustão e otimizar o controle ar-combustível em uma caldeira, é essencial entender alguns conceitos-chave e utilizar fórmulas específicas. A eficiência de combustão é geralmente expressa como a proporção da energia liberada pela queima do combustível que é convertida em calor útil.

Conceitos básicos

  • Combustível: A biomassa, como bagaço de cana-de-açúcar.
  • Poder calorífico inferior (PCI): A quantidade de calor liberada pela combustão
    completa de uma unidade de combustível, sem considerar a condensação do
    vapor d’água nos produtos da combustão.
  • Excesso de ar: A quantidade de ar fornecida acima da quantidade teoricamente
    necessária para a combustão completa.

Parâmetros importantes:

  • Fração de excesso de ar (E): A proporção de ar em excesso fornecido em relação
    ao ar estequiométrico (quantidade mínima de ar necessário para a combustão
    completa).
  • Medição de oxigênio (O2): A concentração de oxigênio nos gases de combustão,
    medida pelo analisador de oxigênio.
  • Temperatura dos gases de exaustão (Tgases ): A temperatura dos gases após a
    combustão, que afeta a eficiência.

Formula para excesso de ar

Otimização da combustão em caldeiras: fórmula para excesso de ar
Imagem: fórmula para excesso de ar


Onde O2 é a concentração de oxigênio medida nos gases de exaustão (em %).

Eficiência térmica da combustão (ηc)

Otimização da combustão em caldeiras: fórmula de eficiência térmica de combustão
Imagem: eficiência térmica de combustão

As perdas podem incluir: 

  • Perda de calor pelos gases de exaustão. 
  • Perda de calor pela umidade no combustível. 
  • Perda de calor pela ventilação excessiva. 

Perda de calor nos gases de exaustão

Otimização da combustão em caldeiras: perda de calor nos gases de exaustão
Imagem: fórmula da perda de calor nos gases de exaustão

Onde:

  • Cp é o calor específico dos gases de combustão. 
  • Tamb é a temperatura ambiente. 

Eficiência de combustão (ηcomb): 

Otimização da combustão em caldeiras: eficiência de combustão
Imagem: eficiência de combustão


Perdas totais incluem as perdas pelos gases de exaustão, ventilação excessiva, entre outras

Eficiência global (ηglobal):

Otimização da combustão em caldeiras: eficiência global
Imagem: eficiência global

Onde:

  • ηc é a eficiência térmica. 
  • ηcomb é a eficiência de combustão. 

Aplicação prática com o analisador de oxigênio: 

  • Usando o analisador de oxigênio, monitore O2 continuamente. 
  • Ajuste o fluxo de ar para minimizar E, sem comprometer a segurança. 
  • Monitore as temperaturas dos gases de exaustão para avaliar as perdas. 
  • Use os valores de O2 e Tgases para calcular e otimizar a eficiência. 

Exemplo de cálculo

Para calcular a eficiência de combustão de uma caldeira, vamos usar um exemplo prático. Suponha que temos uma caldeira que utiliza biomassa (bagaço de cana-de-açúcar) como combustível, e precisamos calcular a eficiência de combustão com base nos dados medidos. 

Dados do exemplo

  • Poder Calorífico Inferior (PCI) do combustível: 15 MJ/kg 
  • Temperatura dos gases de exaustão (Tgases): 250°C 
  • Temperatura ambiente (Tamb): 25°C 
  • Nível de oxigênio (O2): 5% 
  • Calor específico dos gases de combustão (Cp): 1.005 kJ/kg°C 
  • Excesso de ar: Calculado com base no nível de oxigênio medido 

Passos para o cálculo

Cálculo do excesso de ar (E)

Otimização da combustão em caldeiras: fórmula para excesso de ar
Imagem: fórmula para excesso de ar

Substituindo O2 = 5% 

E = 0,3125 (ou 31.25%) 

Perda de calor nos gases de exaustão (Qgases) 

A perda de calor nos gases de exaustão pode ser calculada usando a fórmula: 

Otimização da combustão em caldeiras: perda de calor nos gases de exaustão (Qgases)
Imagem: perda de calor nos gases de exaustão (Qgases)

Substituindo os valores: 

Qgases = 226.125 kJ/kg

Eficiência de combustão (ηcomb) 

A eficiência de combustão pode ser calculada considerando as perdas de calor: 

Otimização da combustão em caldeiras: eficiência de combustão
Imagem: eficiência de combustão

Substituindo os valores:

ηcomb = 98,49% 

Resultado: 

A eficiência de combustão da caldeira, neste exemplo, é de aproximadamente 98.49%. Isso significa que 98.49% da energia disponível no combustível é convertida em calor útil, enquanto o restante é perdido, principalmente pelos gases de exaustão. 

Cálculos de ganhos e savings práticos: 

Para quantificar os ganhos e savings proporcionados pelo uso do analisador de oxigênio, considere os seguintes parâmetros em uma caldeira queima de biomassa de cana-de-açúcar: 

  • Capacidade Térmica da Caldeira: 100 MW (Megawatts) 
  • Eficiência Atual da Combustão (sem o analisador): 82% 
  • Eficiência com o Analisador: 85% 
  • Custo Médio da Biomassa de Cana-de-Açúcar: $30/tonelada 
  • Consumo Anual de Biomassa (sem o analisador): 500.000 toneladas 

Economia de biomassa: 

Primeiramente, calculamos o consumo de biomassa sem e com a eficiência melhorada: 

  • Eficiência Atual de Combustão (sem o analisador): 82%
    • Consumo de biomassa com a Eficiência Atual:
      • 500.000 × 0,82 = 410.000 Ton.
    • Eficiência com o analisador: 85% 
    • Redução no consumo de biomassa (com a melhoria na eficiência):
      • 500.000 × 0,85 = 425.000 Ton.

Portanto, a economia anual de biomassa seria: 

  • Saving anual: 75.000 × $30/ton = $2.250.000,00 por ano 
  • Economia de biomassa: 500.000−425.000 = 75.000 Ton. 

Ganho energético 

Além dos savings diretos no consumo de biomassa, o ganho energético também deve ser considerado. Com uma melhoria de 3% na eficiência, a caldeira passa a gerar mais 

energia útil a partir da mesma quantidade de combustível, o que pode se traduzir em maior produção ou menor necessidade de combustíveis auxiliares.

Conclusão

A adoção do analisador de oxigênio da Fuji Electric colaboram com a otimização da combustão em caldeiras que utilizam biomassa de cana-de-açúcar pode proporcionar ganhos significativos na eficiência de combustão, resultando em savings consideráveis no consumo de combustível. Com base nos cálculos apresentados, a economia anual pode ultrapassar alguns milhares R$ por ano, além de contribuir para a redução de emissões de poluentes e para a sustentabilidade das operações. Portanto, a implementação desta tecnologia representa um investimento estratégico para empresas que buscam otimizar seus processos energéticos e reduzir custos operacionais. 

Leia mais sobre as soluções de analítica da Fuji Electric. Entre em contato com a Alutal.

Sergio Xavier

Graduado em Instrumentação, Controle de Processos e Automação Industrial, atuando de forma estratégica e técnica em diversos segmentos industriais, incluindo Indústrias Químicas, Petroquímicas, Óleo & Gás, Geração e Cogeração de Energia (Termelétricas), Papel & Celulose, Siderurgia, Alimentos e Bebidas, entre outros. Há 25 anos contribuído com soluções inovadoras e sustentáveis, promovendo a eficiência operacional, a confiabilidade de processos e a modernização tecnológica em ambientes industriais críticos.

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