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Qual a temperatura do Termopar tipo B e por que ele é a elite dos sensores?

Termopar do tipo B possui metais nobres, como a platina

Essenciais para a instrumentação industrial, os termopares convertem calor em sinais elétricos via efeito Seebeck para monitorar processos extremos. Entre a extensa linha de sensores disponíveis, o termopar tipo B se destaca como a solução de elite: sua composição nobre de platina e ródio garante precisão em temperaturas onde outros falhariam. Mas quando usar e como ele funciona?

O que é um termopar e como ele funciona na prática?

Um termopar é um sensor de temperatura robusto e simples, constituído por dois fios de metais ou ligas metálicas distintas, unidos em uma das extremidades, chamada de junção de medição (ou junção quente).

O funcionamento baseia-se no Efeito Seebeck, descoberto por Thomas Johann Seebeck em 1821. Quando existe um gradiente de temperatura entre a junção de medição e a outra extremidade (junção de referência ou fria), gera-se uma força eletromotriz (FEM) expressa em milivolts.

Diferente do que muitos acreditam, a tensão não é gerada apenas no ponto de solda, mas sim ao longo dos condutores que atravessam o gradiente térmico. Essa “assinatura termoelétrica” é o que permite ao instrumento traduzir voltagem em graus Celsius ou Fahrenheit com alta repetibilidade.

Como é um termopar tipo B?

O termopar tipo B representa o auge da engenharia termoelétrica para calor extremo. Sua durabilidade, conformidade com normas rigorosas e estabilidade fazem dele um investimento seguro para indústrias que não podem se dar ao luxo de ter medições imprecisas.

O termopar tipo B faz parte do grupo de termopares de metais nobres (Tipos S, R e B). Sua composição química é o que dita sua performance superior:

  • Perna Positiva: Liga de Platina com 30% de Ródio.
  • Perna Negativa: Liga de Platina com 6% de Ródio.

Este sensor é projetado para operar em faixas que variam de +100 °C a +1.800 °C. Embora consiga detectar temperaturas menores, sua curva de resposta abaixo de 500 °C é quase nula, o que o torna inadequado para processos de baixa temperatura.

Sua grande vantagem reside na estabilidade química. Por ser composto majoritariamente por platina, ele resiste à oxidação e à corrosão em atmosferas oxidantes de forma excepcional, mantendo a precisão mesmo após longos períodos em fornos industriais.

Como o termopar tipo B se compara aos tipos R e S?

Ao projetar um sistema de alta temperatura, surge a dúvida: escolher o Tipo B, R ou S? Todos utilizam Platina e Ródio, mas as proporções alteram o comportamento do sensor.

CaracterísticaTermopar Tipo BTermopar Tipo RTermopar Tipo S
ComposiçãoPtRh30% / PtRh6%PtRh13% / PtPtRh10% / Pt
Temperatura Máx.Até 1.800 °CAté 1.600 °CAté 1.600 °C
SensibilidadeBaixa (< 600 °C)AltaAlta
CustoMais ElevadoAltoAlto
Resistência MecânicaSuperior em calor extremoAltaAlta

O Tipo B é o “campeão de peso pesado”. Enquanto os tipos R e S são mais sensíveis e precisos em faixas intermediárias, o Tipo B é o único que mantém a integridade estrutural e a confiabilidade acima dos 1.600 °C de forma contínua.

Vantagens e desvantagens do tipo B?

A decisão de implementar um termopar tipo B deve considerar o equilíbrio entre performance e investimento.

Vantagens:

  1. Resistência Térmica Excepcional: É um dos poucos sensores capazes de operar até 1.800 °C sem degradação imediata.
  2. Inércia Química: Excelente desempenho em atmosferas oxidantes e inertes.
  3. Conformidade Normativa: Atende rigorosamente aos padrões AMS 2750 E e CQI-9, essenciais para as indústrias aeroespacial e automotiva.
  4. Menor Erro de Junção Fria: Devido à sua curva de resposta, a variação da temperatura na junção de referência (entre 0 °C e 50 °C) tem um impacto desprezível na medição final, muitas vezes dispensando cabos de compensação caros para distâncias curtas.

Desvantagens:

  1. Custo de Aquisição: O ródio é um metal extremamente valioso. O alto teor deste metal no tipo B o torna consideravelmente mais caro que o tipo K ou J.
  2. Sensibilidade Nula em Baixa Temperatura: Não deve ser usado para medir nada abaixo de 600 °C, onde o erro percentual é altíssimo.
  3. Vulnerabilidade à Contaminação: Embora resista à oxidação, ele é sensível à contaminação por vapores metálicos ou redução de sílica em atmosferas redutoras, o que exige o uso de tubos de proteção cerâmicos de alta pureza (como a Alumina).

Onde o termopar tipo B é utilizado na indústria?

Indústria Siderúrgica e Metalúrgica: no coração das usinas siderúrgicas, o tipo B monitora o ferro gusa e o aço líquido. Ele é essencial para garantir que o metal atinja o ponto de fusão exato para o lingotamento.

Fabricação de vidro: o vidro fundido é altamente corrosivo e requer temperaturas constantes acima de 1.500 °C. O termopar tipo B, revestido com proteção de platina ou cerâmica especial, é o padrão ouro para esta aplicação.

Indústria Aeroespacial e Defesa: em testes de motores de foguetes e turbinas de aviões, onde as temperaturas de combustão são extremas, o tipo B fornece os dados críticos para a segurança e eficiência dos componentes.

Pesquisa e desenvolvimento: laboratórios de ciência dos materiais utilizam o tipo B em fornos de calcinação e sinterização para desenvolver novos compostos cerâmicos e ligas metálicas.

Precisa de um projeto personalizado? Na Alutal, fabricamos sensores sob medida para as aplicações mais desafiadoras do mercado, garantindo que sua operação nunca pare por falta de precisão térmica.

Perguntas frequentes

O termopar tipo B precisa de cabos de extensão especiais?

Para muitas aplicações industriais, o tipo B pode usar cabos de cobre comum se a junção de referência estiver entre 0 °C e 50 °C, pois a tensão gerada nessa faixa é insignificante. No entanto, para precisão laboratorial, cabos de compensação específicos são recomendados.

Com que frequência devo calibrar meu sensor?

Em processos críticos (como tratamento térmico aeroespacial), a calibração deve seguir as normas AMS 2750. Em uso geral de alta temperatura, recomenda-se a verificação semestral, pois o ródio pode migrar entre as pernas do termopar em temperaturas extremas, causando desvios (drift). A Alutal possui o único laboratório creditado CGCRE para calibração de termopares de metal nobre até 1600 ºC

Ele funciona em ambientes de vácuo?

Sim. O tipo B é utilizado em fornos de vácuo, desde que não haja vapores de metais que possam contaminar a platina. O uso de isoladores de alumina de alta pureza (99,7%) é obrigatório nesses casos.

Anny Malagolini

Anny Malagolini é jornalista, redatora e especialista em SEO, com ampla experiência na produção de conteúdos estratégicos para web.

Funcionamento e aplicação de Termopares